O que foi, então?
Perguntou a si mesmo enquanto olhava para o espelho e via marcas que não conhecia, apresentado-se uma a uma: indefinidas, confusas, tentando acomodar-se uma ao lado da outra.
Talvez fosse um suspiro. Um hiato da realidade. Uma simples, voluntária, cegueira.
Ainda assim o levava de um dia para o outro. Ela. Ela que carregava consigo alguns tantos sentidos que faltavam a ele, estando seus próprios entorpecidos desde a primeira vez em que a viu.
O que foi, então?
Lavou o rosto e sentou-se, o quarto às escuras. Dormira ouvindo músicas, e estas ainda se faziam ouvir: agora, começava uma balada qualquer na voz de Timmy Thomas. Talvez os dias que passaram estivessem encobertos, escondidos por detrás de esperanças que costurou de apanhados daqui e dali, que remendara com alguns sorrisos furtivos e palavras macias.
O que há, então?
Nada.
Só o nada.
De novo.
...
Publicado por Renato Alt
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