Vai passar, acredite. Sim, ainda lhe roubará algum tempo. Ainda serão algumas noites em claro, ainda há umas tantas lágrimas a verter. Ainda há incompreensão a ser destilada e perguntas a fazer, ainda que, como resposta, nada possam alcançar além do silêncio. Mas há de passar. Por mais um pouco persistirá a lembrança das promessas não cumpridas, do olhar cúmplice, do perfume dos cabelos dela. Haverá a mentira pueril, bradando aos quatro ventos a impossibilidade de uma paixão semelhante, de um sentimento semelhante, ou de semelhante disposição para passar por tudo aquilo ainda mais outra vez. Mas passará. Você ainda pensará que toda a culpa foi sua, como se todo momento nefasto carregasse sua assinatura, como se o universo conspirasse apenas para lhe causar dor. Mas por maior que seja a noite, ela chegará ao fim. E mesmo que por entre lágrimas, você voltará a enxergar o sol. Acredite.
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