Ele passou pela porta do restaurante umas três vezes, quando era, talvez, meio-dia e meia: almoço no Eco, mais olhos do que nos finais de semana desertos entre a gelateria da Parmalat e o Iguatemi.
Não há como negar: o Audi TT prateado chamava a atenção, de capota arriada. Parado, mas com o motor roncando alto, o homem disfarçava o olhar por dentro dos óculos escuros tentando perceber quem é que, de lá do restaurante, olhava para seu Audi TT prateado e de capota arriada.
A primeira vez, alguns. Em minha mesa, ouvi alguém comentar que aquilo sim é que era um carro. Outra pessoa afirmou categoricamente que tinha a mesma plataforma do Golf. A menina do atendimento ainda estava ao celular, e desligou perguntando para nós sobre o que é que estávamos falando.
- Do TT que estava ali fora.
Voltamos para o cardápio, cada um pediu o seu, e eu o mesmo de sempre.
Os pratos chegaram junto com o TT, em sua segunda ronda. Comportamento idêntico ao da primeira: pisa no acelerador, disfarça o olhar.
A menina do atendimento:
- Esse?
- É.
Voltamos ao assunto em que estávamos, que era nenhum. E quando veio o expresso e a água com gás (com gelo e limão), veio o Audi em sua terceira tentativa.
Dessa vez, nenhum olhar. E ele foi, triste, para não voltar mais.
Pedimos a conta, fomos embora. Quando saíamos do restaurante, vimos um Hummer estacionado. Enquanto entrávamos no taxi, alguém disse:
- Isso sim é um carro.
...
23 de jul. de 2007
:: Carona ::
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