Engraçado como todo mundo tenta definir a si mesmo usando definições dadas por outros. Assim, definem-se para os outros, mas continuam sem saber quem são.
Pensando bem, isso já perdeu a graça.
Hoje, não basta dizer que sou homem. Tenho que dizer se sou Emo, Über, New-broke ou Metrosexual.
(Só o que sei é que não tenho altura suficiente para ser do último grupo.)
Também não basta dizer que gosto de rock. Tenho que dizer se falo de Glam, New-Metal, Pop, Metal Core, British Pop, Alternativo ou outra infinidade de classificações. Quando é o caso de dizer que estou comprometido, preciso dizer se esse é um relacionamento aberto ou não.
Me parece que as pessoas têm a impressão de que é mais fácil encontrar-se quando existem opções para definir especificamente um gosto, uma atitude. Penso o contrário: quanto mais opções, mas fácil é ver a própria identidade diluir-se, tornar-se rarefeita. Ninguém precisa pensar nos próprios valores quando tudo é aceito, tudo é permitido, tudo é classificado e classificável; como se a criação de um termo para definir um comportamento qualquer já fosse o suficiente para legitimá-lo.
Fique com quem quiser, transe com quem quiser, bata em quem quiser, coma, beba, use drogas. Faça tudo ao mesmo tempo. Logo vai aparecer alguém e dizer a palavra mágica, aquela que vai fazer você concluir que se agiu assim é porque é assim mesmo que tal tipo de pessoa age. No final, ninguém mais precisa mudar o próprio modus vivendi.
Depois todos reclamam que a sociedade perdeu seu rumo, suas referências. Perguntam uns aos outros “onde é que vamos parar?” entre uma garfada e outra no jantar.
Vejo a mim mesmo como alguém que não usa antolhos, mas penso que o excesso de normalidade tem nos causado mais prejuízos do que a famigerada Lei de Gérson. Até porque essa fica só entre nós, brasileiros.
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2 comentários:
Ok, concordo.
Principalmente porque eu mesma usei a sua descrição pra me descrever (com os devidos créditos, é claro.)
Já virou rotina passar por aqui.
=]
Oi. Muito bom seu texto querido. Gostei bem.
Qd li, trouxe o assunto pras minhas vivências....e resumi em SUPERFICIALIDADE! Ser superficial é mais fácil e não dá trabalho. Colocar as outras pessoas na superfície, e fazer o que vc fala no texto, é mais fácil...não incomoda...não gera mudanças.
A tua forma é muito interessante de ver um pensamento que eu já tinha...gostei de ver nesse sentido.
bj.
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