Queria saber quem foi que disse que na internet não é preciso escrever em português correto. Não foi só uma vez que escutei essa justificativa para palavras como “descente”, “discursão” ou “opnião”. Se alguém reclama, é imediatamente rechaçado, rotulado como chato e antiquado. O certo é escrever AxIm, Di Um GeItu Ki SoH eH LeGaU sI nUm DeH pAh InTeNdE Nd. Simplesmente insuportável. Ou pelo menos a mim parece.
A moda é dizer que a internet é um espaço livre, e que por isso deveria comportar o que quer que seja que qualquer mente possa produzir. Parece difícil para algumas pessoas entender que o mesmo comportamento que têm aqui manifesta-se em todos os lugares. E se nem a internet tem de fato toda essa liberdade, muito menos têm o mundo físico. Isso é coisa que deveria parecer grave em dias onde as amizades virtuais são muito mais freqüentes que as físicas. Onde o namoro começa com o dedilhar no teclado ao invés da conversa ao pé do ouvido e da troca de olhares – exceto quando feitos pela webcam. Na imensa vitrine que são os computadores pessoais, muito pouco os produtos parecem preocupar-se com o próprio valor.
A mesma geração que compra e vende via net e que descarta uns aos outros com um delete é a geração que afasta-se assustada dos livros. Acham que a leitura é coisa chata, e não parecem perceber que é ela que agiliza o pensamento para tudo o mais. Mas o que, hoje em dia, requer pensamento ágil? O que requer empenho? O comodismo do on e do off transporta-se para todas as áreas da vida.
Dentro desse espaço livre há drogas à venda tanto quanto há livros. Há racismo. Há coisas que nem ao menos merecem ser citadas aqui. Tudo em nome de uma liberdade falsa, que aprisiona a alma de quem vê e se transforma em prisão real para quem a produz.
Uma pequena concessão traduz-se em grandes conseqüências.
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