Há pessoas que parecem não entender que o excesso de alegria, nos momentos errados, pode ser pior do que ser xingado. Como, por exemplo, quando você acabou de levar um fora, quer ficar em casa com a cara enfiada na cama vendo um DVD da pior qualidade, e insistem em te arrastar para uma festa a qual você não iria nem se estivesse bem. Afinal de contas, você precisa se animar!
Ficar junto a muita gente, nessas horas, é como estar num fogo cruzado de frases feitas: “Há males que vêm pra bem”. “Foi ela quem saiu perdendo”. “Você vai ver que foi melhor assim”. O pior é ficar com fama de antipático ou ser acusado de estar agindo errado simplesmente porque não quer fazer nada esfuziante demais: “ah, cara, você vai ficar assim por causa disso?” Experimente dizer que sim e pronto: além de estar na fossa, você passa a ser culpado por estar nela.
É mais fácil respeitar a alegria que a dor. A alegria, ao contrário da dor, não espera compreensão. Apenas cumplicidade. A dor exige respeito e, às vezes, reverência. Por isso é muito mais fácil ter camaradas do que amigos. Uns são rêmoras. Outros, cúmplices.
Sejamos mais parceiros e menos Prozac.
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Um comentário:
Tem horas que a gente fica deprê, até mesmo chato. Nessas horas é que os amigos trigo aparecem e os joio somem.
O consolo é que o crescimento vem nas horas da dor, seja ela física, de alma, de espírito, de cotovelo ou, como diz um amigo, na ferida narcísica, rsrs.
Espero que no seu caso tenha sido uma observação, e não uma experiência, mas se for, bem vindo ao clube.
Não conheço a trilha sonora que vc sugeriu (taí uma idéia!), mas lembrei de outra, do Cartola: 'tire seu sorriso do caminho que eu quero passar com minha dor'.
Melodramático até o último. Mas quem não fica?
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